ATIVOS INTANGÍVEIS COMO FORMA DE VALORAÇÃO

ATIVOS INTANGÍVEIS COMO FORMA DE VALORAÇÃO

Os chamados "ativos intangíveis" são aqueles que não têm existência física. Entre os exemplos, é possível citar: os direitos de exploração de serviços públicos mediante concessão ou permissão do Poder Público, marcas e patentes, direitos autorais adquiridos, softwares e o fundo de comércio adquirido.

Segundo o Portal de Contabilidade, um ativo intangível deve ser reconhecido apenas se: for provável que os benefícios econômicos futuros esperados atribuíveis ao ativo serão gerados em favor da entidade; e o custo do ativo possa ser mensurado com confiabilidade.

Os ativos intangíveis têm exercido um papel cada vez mais importante na criação de valor das empresas, especialmente porque são importantes fontes de vantagem competitiva. Por isso, torna-se essencial gerenciá-los adequadamente para que possam contribuir para o alcance do maior objetivo financeiro da companhia: o de maximizar a riqueza dos acionistas.

Em geral, a importância da inovação para a criação de valor econômico parece evidente. A importância da inovação na criação de valor das organizações parece ser consenso entre os estudiosos do tema. Contudo, pesquisas sobre a influência das patentes e marcas no valor de mercado das instituições, sobretudo no Brasil, ainda não são conclusivas.

Existe uma relação entre ativos intangíveis e o valor de mercado de um negócio, com ênfase na análise dos ativos de inovação, especificamente as patentes, e nos ativos de relacionamento, especificamente as marcas. Os esforços em inovar e estabelecer uma conexão com os clientes criam valor para a empresa. A questão é se o mercado reconhece tais esforços, traduzindo em um maior valor de mercado da mesma. As marcas possuem um grande peso no valor de mercado de uma companhia. Várias pesquisas com marcas tentam relacionar o seu valor estimado com o valor de mercado da organização, diferenciando as marcas mais valiosas.

Especialistas consideram que os atributos de patentes ainda são raramente utilizados na análise de investimentos, o que pode indicar a necessidade de mais pesquisas para avaliar se tais atributos podem ser utilizados como direcionadores de valor das companhias. A compreensão do impacto dos ativos intangíveis e de sua influência, principalmente das patentes e marcas, na criação de valor das organizações, levam a novas pesquisas sobre ativos intangíveis e gestão de inovação em um contexto estratégico, visando à geração de valor para as empresas e, principalmente, para os acionistas.

Tabela: Demonstrativo do valor pago pelos ativos intangíveis de grandes empresas selecionadas (SILVA, Pilar S. 2006)

A tabela acima ilustra como que os ativos intangíveis têm um grande impacto no valor das instituições e como isso é interessante para o mercado no momento de fusões e aquisições. Um exemplo é o fato da Kraft Foods, quando comprada pela Philip Morris, em que 90% do valor pago foi relativo aos ativos intangíveis (marcas da companhia). Outro exemplo é o da IBM, ao comprar a Lotus, em que mais de 93% do valor pago foi relativo aos ativos intangíveis (patentes e marcas).

Segundo o The Economist, existe uma verdadeira “guerra inventiva” no mercado. Marcas e patentes estão entre os principais fatores para a aquisição de organizações, tornando uma competição acirrada e cara.

“Este acordo é sobre patentes”. Essa foi a visão quase universal do anúncio do Google, em agosto de 2011, quando estava assumindo a Motorola Mobility, fabricante de aparelhos e outros dispositivos, por colossais US$ 12,5 bilhões. De fato, a compra fornecerá ao Google uma enorme quantidade de patentes: cerca de 17.000 delas emitidas e outras 7.500 pendentes. Eles devem ajudar o Google em seus esforços para colocar mais smartphones e outros dispositivos móveis em execução no sistema operacional Android. Mas também poderia tornar as batalhas pelas patentes mais desagradáveis e mais caras.

Em dezembro de 2010, quatro empresas, incluindo Microsoft e Apple, pagaram cerca de US$ 450 milhões por 880 patentes e aplicações que eram propriedade da Novell. Em 2011, Microsoft, Apple e RIM gastaram US$ 4.5 bilhões em 6.000 patentes de propriedade da Nortel (que faliu), antiga fabricante canadense de equipamentos de telecomunicações. A Apple alegou que a sua tecnologia foi copiada pela Samsung e a Motorola em seus celulares Android. Oracle processou o Google em US$ 6 bilhões, alegando que o Android infringia suas patentes. Microsoft processou a Motorola pelo Android também.

Esses são alguns exemplos de como os ativos intangíveis, particularmente as marcas e patentes, influenciam o mercado.

Referências:

ATIVOS INTANGÍVEIS. Portal de Contabilidade. (s.d.). Disponível em: http://www.portaldecontabilidade.com.br/tematicas/ativosintangiveis.htm

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DENG, Z.; LEV, B.; NARIN, F. Science and technology as predictors of stock performance. Financial Analysts Journal, Charlottesville, v. 55, n. 3, p. 20-32, 1999.

INVENTIVE WARFARE. The Economist. 2011. Disponível em: http://www.economist.com/node/21526385

SILVA, Pilar Sabino. A crescente importância da mensuração dos ativos intangíveis e o valor das empresas na economia baseada no conhecimento. Monografia. UFSC. Florianópolis. 2006. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/122042/Economia293984.pdf?sequence=1&isAllowed=y.

TEHI, Chang Chuan; KAYO, Eduardo Kazuo; KIMURA, Herbert. Marcas, patentes e criação de valor. RAM (Online) vol.9 no.1 São Paulo. 2008. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-69712008000100005.