PRINCÍPIOS DA COMUNICAÇÃO INTERNA

PRINCÍPIOS DA COMUNICAÇÃO INTERNA

O que é comunicação interna?

Primeiramente, é necessário delimitar o objeto com o qual lidamos. A comunicação interna é a parte da comunicação organizacional que é dirigida aos colaboradores, público estratégico e essencial, e deve ter uma execução planejada (LEMOS, 2011, p.155-156). É área cuja importância, para que as organizações atinjam seus objetivos, é consensual, tanto na literatura quanto nos relatos práticos (ibidem, p.156).

As empresas não podem mais enxergar a si mesmas como organismos independentes, descolados da realidade que as envolve. Produtos e serviços vão além das relações de produção e consumo: a organização precisa compreender que também deve desempenhar um papel relevante no tecido social (TORQUATO, 2015, p.20). A comunicação interna, uma vez que lida diretamente com pessoas – os colaboradores, que, antes de tudo, são cidadãos – adquire, portanto, relevância no impacto que a companhia causa no meio no qual está inserida.

Fundamentos da comunicação interna

Else Lemos (2011) estrutura em três pilares os fundamentos da comunicação interna, que, segundo a autora, deve:

1) Orientar-se para o cidadão nas organizações. Isto é, atentar-se à comunicação com os funcionários, enquanto pessoas, tanto no âmbito da organização quanto no externo. O que acontece nas organizações é confrontado com o que acontece fora delas – não é possível descolar uma realidade da outra;

2) Promover o conhecimento sobre a cultura da organização, bem como garantir o envolvimento das lideranças com o planejamento e a disseminação das mensagens;

3) Ser ágil, verdadeira e fazer parte de um sistema de comunicação integrada, porque a comunicação interna não se sustenta como algo isolado.

Ademais, é importante frisar que a informação é a essência da comunicação interna (LEMOS, 2011, 161), e cada área da empresa deve estar apta a fornecer informações completas, regulares e acuradas. Ao mesmo tempo em que é preciso haver profissionais diretamente responsáveis pela comunicação interna, toda a empresa deve estar imbuída da missão de prover e consumir informações organizacionais.

Boas práticas em comunicação interna

Embora o benchmarking seja muito utilizado, é preciso ter em mente que as tendências não podem se sobrepor às características próprias da organização. É fundamental respeitar o grau de desenvolvimento da comunicação organizacional de cada companhia (LEMOS, 2011, p.159). Ou seja, o primeiro passo é analisar o ambiente e planejar uma comunicação com base na realidade da empresa em questão. Isso pode ser feito de maneiras diversas: por exemplo, valendo-se de expedientes mais rotineiramente usados no campo do marketing, como a criação de persona, para tornar mais dirigido e efetivo o diálogo com os funcionários.

A fim de produzir veículos internos que tenham real valor para os colaboradores, é preciso, justamente, escutar e compreender os públicos – isto deve ser anterior à criação de canais de comunicação. Essa etapa de estudo dos públicos serve para aumentar as chances de implementação de uma comunicação eficaz e fornecer consistência à postura organizacional (PARAVENTI, 2011, p.220). Algumas questões podem ajudar a definir qual veículo deve ser implementado (PARAVENTI, 2011, p.220-221):

  • Qual é o público-alvo?
  • Qual é o objetivo com esse público?
  • Qual é o perfil da organização?
  • De quais investimentos e estrutura a organização dispõe para essa publicação?

É importante frisar que os veículos de comunicação não podem atuar isoladamente. Afinal, para um relacionamento ideal, simétrico e de via de mão dupla com o público, os veículos devem estar alinhados com o plano global de comunicação da companhia (PARAVENTI, 2011, p.220). As atitudes da empresa, no relacionamento com seus públicos de interesse – como o público interno – deve ser condizente com aquilo que ela propaga.

Mensagem final

Por fim, pode restar a pergunta, especialmente na mente daqueles que não são da área: por que a comunicação interna é importante? No contexto mais imediato, porque auxilia na condução dos fluxos e direções da comunicação que circula na empresa. Mas, para além disso, parafraseio Else Lemos (2011, p.161) mais uma vez: é a informação verdadeira, comunicada com transparência e no momento certo, que promove relacionamentos baseados em confiança. Em um mundo no qual, cada vez mais, a capacidade de comunicar-se e informar rege as relações, as empresas e os profissionais precisam estar conscientes dessa realidade.

Referências:

LEMOS, Else. Comunicação interna como diferencial em relações públicas. In: FARIAS, Luiz Alberto de (org.). Relações públicas estratégicas: Técnicas, conceitos e instrumentos. São Paulo: Summus, 2011, pp. 151-164.

PARAVENTI, Agatha Camargo. Uso estratégico das publicações na gestão dos relacionamentos organizacionais. In: FARIAS, Luiz Alberto de (org.). Relações públicas estratégicas: Técnicas, conceitos e instrumentos. São Paulo: Summus, 2011, pp. 195-234.

TORQUATO, Gaudêncio. Comunicação nas organizações. São Paulo: Summus, 2015.